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Confiança em Deus

O último dos oito remédios naturais apresentados pela Igreja Adventista deveria estar na verdade em primeiro lugar. A religião e espiritualidade que, na verdade, nada mais são do que o relacionamento com Deus, produzem saúde tanto física quanto mental.

Segundo o Dr. Harold Koenig, da Universidade de Duke, North Carolina, Estados Unidos, vários estudos têm comprovado que a espiritualidade, a religião, e mesmo o habito de ir à igreja semanalmente produzem melhor saúde física, melhor sistema imunitário, e na área psicológica, menos depressão, ansiedade, vício em drogas e álcool e até mesmo risco de suicídio.

Lembro de uma entrevista feita durante o programa da Catedral de Vidro (Crystal Cathedral) que o pastor Fuller realizou com um escritor e sociólogo judeu. Apesar do indivíduo ser israelita ele havia escrito um livro sobre a influência da religião cristã no desenvolvimento dos Estados Unidos da América. O pastor Fuller não estava acreditando que um israelita pudesse ter escrito um livro sobre o cristianismo. Assim, esta foi a primeira pergunta durante a entrevista.

O escritor judeu simplesmente respondeu que a influência da igreja na sociedade não pode ser negada. E contou alguns exemplos comparando os jovens que frequentavam igrejas cristas com aqueles que não frequentavam. Os primeiros tinham menor envolvimento com drogas, menos sexo antes do casamento e menos frequência de outros comportamentos de risco. Como o pastor Fuller ainda estava incrédulo, o escritor resolveu dar um exemplo.

E aqui vai a parábola do escritor judeu para explicar como a religião ajudou e ainda ajuda os jovens a desenvolver um comportamento saudável e equilibrado:

“Por exemplo, pastor Fuller, pense nesta situação. Você está voltando para casa e dirige através da parte leste da cidade de Los Angeles à meia noite. Quando passava pelo bairro mexicano, repentinamente o pneu do carro furou. Saindo do carro para consertar o pneu você olha para trás e vê dez jovens caminhando em sua direção. Ai eu lhe pergunto: faria diferença se você soubesse que aqueles jovens estavam vindo de um programa cristão em sua igreja? ” E a entrevista terminou assim.

Dizem que mesmo Charles Darwin, no final de sua vida, reconheceu que a religião cristã é a melhor coisa que poderia acontecer para a sociedade e para a humanidade. E isso tem sido constante em vários países, ou seja, a igreja cristã, ou o contato com Deus, resultam em melhor comportamento em todos os níveis sociais e em todas as idades.

Exemplo próprio

Por exemplo, em minha situação quando era criança, fui influenciado pelos meus amigos e tios para beber álcool, mas a tradição da Igreja Adventista não tolerava álcool de forma alguma. Felizmente, e por certo uma influência da Igreja, nunca bebi bebidas alcoólicas. Para mim, isso foi uma vantagem porque alguns de meus amigos e parentes, acabaram se tornando alcoólatras, o que destruiu suas vidas e a de seus familiares.

A espiritualidade tem sido estudada sob vários aspectos. Existem dois tipos de espiritualidade: a interna ou intrínseca e a externa ou extrínseca. A primeira é a religião do coração, o contato íntimo com Deus, a oração e a meditação e a entrega pessoal a Jesus Cristo. O segundo tipo de religião, ou espiritualidade, é a externa, ou seja, a parte externa da religião, as tradições e práticas religiosas. De uma forma geral a religião interna conduz a religião externa. Porém, existem muitos cristãos possuem uma espiritualidade meramente externa e a religião consiste em uma simples expressão religiosa.

Voltando ao doutor Koenig, em uma conversa ele me relatou que a verdadeira religião é a do coração. O relacionamento íntimo, interno, individual com Deus, esta é a verdadeira religião. E essa é certamente a religião que produz saúde física e mental.

Assim, concluindo os remédios de Deus, o principal é ter Cristo no coração, ou na mente. Quando Ele está no comando, tudo o mais se encaixa perfeitamente. Menos enfermidades, melhor comportamento, melhor saúde mental e mais motivação e poder para seguir comportamentos saudáveis.

O verso final para essa série de artigos se encontra em Filipenses 4:6-7. “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. 7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” Jesus não promete uma vida simples e sem complicações, mas promete a paz, mesmo que a pessoa tenha tribulações, Deus promete sua presença.

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O reino

Pensando nos nossos dias, percebi que se houvessem dois elementos no capitalismo teríamos uma economia/sociedade bem mais justa. Não perfeita, mas muito mais justa. Coisas pequenas em si, mas que estão no centro dos interesses humanos, e é exatamente daí que vem o problema.

Há algo que poderia ter um impacto inacreditável em nossa sociedade e economia se baníssemos de vez a “obsolescência programada” (termo que define um hábito da indústria de criar produtos descartáveis ou com tempo de duração, obrigado as pessoas a consumirem novamente após o período programado). A obsolescência programada serve para manter o ritmo frenético da indústria. Na verdade, sua existência é a prova de que o que o capitalismo começou a resolver sozinho é uma de suas barreiras de expansão: o lucro está relacionado ao tamanho da produção, por essa razão, procura­-se expandir cada vez mais a capacidade produtiva.

Hoje a indústria é capaz de gerar muito mais do que aquilo que nós necessitamos. Sendo assim, soluciona­-se a questão criando produtos descartáveis. Assim, quando falamos de “preservar o planeta”, de fato, o que estamos fazendo é preservando o nosso lucro. Queremos encontrar uma solução de reaproveitamento das coisas, e não de diminuição do consumo. Impõe­-se a transformação do consumo e nunca da produção. Não queremos que a máquina pare, por isso estamos sacrificando tudo para continuar crescendo sem limites.

E é ai que chega o próximo elemento que pode ajudar a mudar tudo. Demarcar limites. Limites para a riqueza e para indústria. Esse limite – impopular porque só nos interessa lucrar – em si  mesmo é capaz de equilibrar boa parte da desigualdade social. Um sujeito que é capaz de acumular de forma ilimitada é um opressor alheio, porque rouba de outros a mera chance de ter, às vezes, um pouco. Todos sabemos disso, mas ignoramos. O limite seria capaz de, esse sim, preservar os recursos da Terra. Ele também permitiria que mais pessoas alcançassem o tal limite. Ele seria uma válvula de defesa contra a inflação (resultado direto do desejo de lucro pessoal), diminuiria a ansiedade da vida e principalmente direcionaria o status quo e o objetivo de vida para o bem estar e não para o consumo e a riqueza opressiva. A competição nessa busca por riquezas nos faz extremamente disfuncionais.

E aí a gente volta para a obsolescência programada. Se os bens de consumo fossem duráveis, como aquela lavadora Brastemp antiga, o Fusca e a Brasília, teríamos uma economia limitada a funcionalidade e uso. Duas coisas aconteceriam: os produtos durariam muito mais e os recursos do planeta, aí sim, seriam preservados. E as pessoas teriam bens que duram muito mais e, portanto, mantém o seu valor por muito mais tempo. A indústria precisa que o valor de um bem dilua na mão do consumidor até desaparecer para renovar a necessidade do mesmo.  Sendo assim, a velha lógica permanece para que um ganhe o outro perca. É preciso que o carro acabe nas mãos de alguém para entrar um novo veículo no mercado. Toda essa realidade poderia ser subvertida se mudássemos esses dois parâmetros.

E o que isso tem a ver com o reino de Deus? Bem, tudo!

Porque há somente uma razão para que essas soluções acima jamais sejam possíveis. A natureza egoísta do ser humano. Desde o pecado só pensamos na sobrevivência própria e no lucro pessoal. Todo o resto é maculado por essas coisas.

Só admitimos sistemas que favorecem nossa natureza caída. Por isso o Capitalismo prosperou. Não acho que seja possível criar um sistema melhor que esse que nossa natureza consinta e se retroalimente dele. No entanto, ele deve ser o máximo alcançável em otimização de sistemas humanos, porque tem um limite. A partir do momento que nossa natureza dita as regras, sua finitude infecta qualquer sistema. Todos os sistemas são limitados. As limitações do capitalismo são os recursos naturais em relação aos desejos dos homens. Ainda que tenhamos o suficiente agora, se todos vivêssemos como queremos não haverá mais espaço, só para dar um exemplo. Somos limitados. E se o sistema se espelha em nós, também será. O capitalismo está no seu limite da otimização... Ainda dá para progredir um pouco, mas bem pouco. E não vejo o que possa substituí­-lo. Talvez, e se fosse possível, como o paradigma da nossa natureza caída ainda é o mesmo, só trocaríamos seis por meia dúzia, porque tudo que pensamos é para nós mesmos.

Essa reflexão também demonstra como o reino de Deus é a única solução lógica, filosófica e plausível. Se pararmos de pensar em nós mesmos e começarmos a pensar no bem-­estar do outro podemos construir um reino melhor. Graças a Deus que esse reino se estabelecerá aqui um dia, mas enquanto isso, quero nos desafiar a pensar nossa vida sob a luz de um padrão eterno. De um padrão inovador para o homem de pecado. Um padrão que pensa além de si mesmo, e por isso, será eterno, porque será mantido por todos nós. Por isso, o reino de Deus não será ilimitado.

 

Autor: Diego Barreto

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A toda tribo

A grande concentração de nativos marcada para setembro é vista pela liderança da igreja na região como uma oportunidade de aproximação com esse público. Por isso, várias ações vêm sendo estruturadas para a data, como a produção de materiais evangelísticos e educativos que serão distribuídos em línguas nativas para atletas e espectadores.

Em questões indígenas, o pioneirismo da região Centro-Oeste do país vai muito além do esporte. Foi na mesma geografia que a Igreja Adventista iniciou na década de 1920 os primeiros esforços para alcançar populações nativas brasileiras. Essa missão transcultural começou com a chegada do pastor norte-americano Alvin Nathan Allen, que trazia na bagagem a experiência adquirida entre nativos do Peru e da Bolívia.

Mas, quase 90 anos depois, como está a presença adventista entre esses povos? O que mudou desde o primeiro contato com os índios carajás? E quais são os principais desafios enfrentados hoje nessa parte do mapa?

Matson Santana e sua esposa, Luana Almeida, fazem parte de uma nova geração de missionários que, conforme expressa Wilson Sarli no livro Uma Viagem no Tempo, lançado pela CPB em 2014, “levantaram o ideal da missão do Araguaia, dando-lhe uma roupagem atual e moderna, mas sem perder de vista os ideais dos pioneiros”. Eles contribuíram não apenas para a renovação da missão nas aldeias da Ilha do Bananal, mas também para que a mensagem do advento chegasse a outras etnias.

MINISTÉRIO INDÍGENA

Foi com essa nova roupagem que surgiu o Ministério Nativo em 2009. “Ele foi criado em resposta à necessidade de expandir o alcance da igreja entre povos nativos. Trata-se da primeira vez em que um ministério específico junto aos povos indígenas é organizado na América do Sul”, explica Matson, que liderou o projeto e hoje atua como missionário no Egito.

 

Durante cinco anos vivendo no coração do Brasil, a família Santana estabeleceu contato com 12 etnias. A apinajé, no norte do Tocantins, foi uma delas. A aproximadamente 15 km da cidade de Tocantinópolis – município com 22 mil habitantes, situado na divisa com o Pará – fica a aldeia Cocal Grande. O cacique Josué Dias Souza foi um dos primeiros a aceitar o evangelho nessa etnia.

A aldeia Cocal Grande, localizada no Norte do Tocantins, é a maior comunidade adventista na etnia apinajé. Foto: Márcio Tonetti

Ele nos recebeu na pequena igreja construída com troncos de árvores e coberta com folhas de uma palmeira típica da região. O contato inicial dessa tribo com os adventistas aconteceu de maneira surpreendente. Josué conta que havia saído para caçar num sábado, como é costume nas tribos dessa etnia. Na floresta, ele sentiu o desejo de orar pedindo que Tintum (Deus, na língua dos apinajés) enviasse alguém para ensinar-lhe a Bíblia.

 

O cacique apinajé Josué Dias Souza compõe hinos na língua nativa. Prática vem sendo incentivada pela Igreja Adventista como uma forma de preservação da cultura nativa. Foto: Márcio Tonetti

A relação do cacique com as Escrituras já vinha de algum tempo, pois ele havia começado a traduzir parte do livro sagrado para o idioma local. Mesmo assim, Josué relata que sua compreensão do texto bíblico era bastante limitada, e esse era um dos motivos daquela prece. Ao retornar para a aldeia, ele recebeu uma visita inesperada. “Um homem apareceu na aldeia procurando alguém que falasse e escrevesse bem o português. Ele disse que era pastor e que estava ali para ensinar sobre Jesus e trazer a paz. Entendi como resposta quase imediata de ­Tintum ao meu pedido”, conta o líder, que na época trabalhava como docente na escola local.

Ao longo de cinco anos, 28 apinajés foram batizados. Esse avanço se deve em grande parte ao trabalho voluntário do casal Laudelino e Geni Dantas. Há sete anos, a família se mudou de Catanduva (SP) para Tocantinópolis e percebeu a necessidade de evangelizar esse grupo que, de acordo com eles, até hoje enfrenta muito preconceito na região. “Quando chegamos aqui, começamos a ver os nativos que costumavam vir em grupos para a cidade. Mas era difícil uma aproximação. Pela história de exploração vivida pelos índios, eles tinham muito medo do kupen [homem branco]”, relata Laudelino.

 

O pastor Miraldo Fag-tanh e o casal Laudelino e Geni Dantas. Igreja Adventista na região Centro-Oeste iniciará mapeamento da atuação de missionários voluntários nas aldeias. Foto: Márcio Tonetti

Mesmo sem conhecer bem a língua apinajé, o casal de agricultores conseguiu criar vínculos com a comunidade. Com o tempo, o medo deu lugar a uma história de amizade. Uma prova disso é que eles receberam até um nome indígena. Para chegar a tal ponto, Laudelino e Geni não pouparam esforços, apesar das limitações financeiras e das dificuldades de acesso às aldeias da região. Com sol ou chuva, eles realizam visitas semanais a essas comunidades, usando uma Belina ano 1985, veículo que tem sido empregado quase exclusivamente para a causa missionária.

A continuidade da assistência prestada por ambos durante os últimos cinco anos abriu novas portas para a pregação do evangelho. “A gente não tem estudo nem material algum. Mas, graças a Deus, a obra tem avançado. Além disso, também aprendemos com eles e revemos nossos valores”, assegura Laudelino.

O exemplo do casal está levando outros a se envolverem com a missão em território indígena. Tadeu e Norma Oliveira, sobrinhos deles, foram algumas das pessoas influenciadas. Há um ano, eles também saíram do Estado de São Paulo com planos de seguir os passos dos tios. “A gente vinha a ­passeio e gostava de visitar as aldeias com eles. Assim, realizar um ministério entre os nativos acabou se tornando nossa meta antes mesmo que mudássemos de endereço”, afirma Tadeu. “Vinte dias depois da mudança de São Paulo para Tocantinópolis a gente já começou a evangelizar nas tribos”, completa Norma, que ajuda a atender duas comunidades apinajés.

 

Há um ano, voluntários iniciaram trabalho em duas novas aldeias apinajés. A comunidade Areia Branca foi uma delas. Recentemente, o evangelho também começou a ser pregado na etnia xerente. Foto: Márcio Tonetti

A atuação da igreja nessas localidades já despertou o interesse de outras aldeias em receber o evangelho, segundo informa o líder do Ministério Nativo no Tocantins, pastor Eronildo da Silva. “Outros caciques perceberam a diferença que a aceitação do evangelho está fazendo, como a redução dos índices de alcoolismo, do consumo de drogas e da prostituição, e querem que a igreja atue lá também”, ressalta. Nesse sentido, a aldeia Cocal Grande é uma das principais referências para eles. “Com a ajuda de Deus e do irmão Laudelino muita coisa mudou. Muitos abandonaram a bebida e o hábito de fumar – eu era um dos que sofriam com esses vícios. Também foram reduzidos os casos de brigas e de furtos. Depois que conhecemos a Bíblia, nossa vida melhorou totalmente”, confirma Josué.

ESCASSEZ DE VOLUNTÁRIOS

Leandro Freire, pastor que atende o território que abrange as aldeias apinajés, conta que líderes de outras 30 tribos já se mostraram receptivos para a abertura de novos centros de pregação. Mas ele observa que um dos grandes desafios continua sendo o mesmo que o pioneiro Alvin Nathan Allen registrou, décadas atrás, em seu diário: poucos estão dispostos a ser pastores das “ovelhas perdidas da floresta”. “Nossa maior necessidade é de liderança e de disponibilidade dos irmãos”, reforça Eronildo da Silva.

Historicamente, a missão entre os nativos esteve bastante vinculada ao trabalho de pastores, instrutores bíblicos e da ADRA, bem como a projetos de curta duração desenvolvidos por voluntários de diversas áreas (especialmente da saúde) e instituições educacionais adventistas. Entretanto, a obra a ser feita também depende em grande parte da participação dos membros que residem nas cidades adjacentes. Uma das formas de se despertar essa consciência missionária tem sido a realização de programas que possibilitem maior integração entre as igrejas das aldeias e as de cidades vizinhas. Esse intercâmbio acontece por meio de congressos regionais e visitas recíprocas.

A carência de pessoas disponíveis para ir e fazer discípulos também existe no meio das comunidades nativas. Por isso, a igreja vem tentando encontrar formas de discipular os indígenas. Mas essa é uma tarefa complexa. Na opinião de Miraldo Fag-tanh Oliveira, pastor que se dedica aos nativos na região Centro-Oeste, “a maioria dos modelos usados nas igrejas ‘normais’ precisa ser adaptado para essas realidades e isso exige tempo”. No entanto, como aproveitar em cada cultura elementos que favoreçam esse processo? Ainda não há respostas claras para essas perguntas. E a diversidade cultural brasileira desafia a lógica das missões transculturais, pois, segundo o censo do IBGE de 2010, existem 305 etnias, que, conforme observa Miraldo, reagem de maneiras completamente distintas.

 

Tewahura, o primeiro missionário carajá. Ele realizou um curso de instrutor bíblico em Brasília e chegou a visitar tribos no Canadá. Foto: Márcio Tonetti

Casos como o de Tewahura Karajá motivam estudos. Ele é considerado o primeiro carajá a atuar como missionário em sua própria terra. “Alguém me chamou para trabalhar como professor e eu não aceitei. Numa outra vez, alguém me chamou para ser enfermeiro e eu também me recusei. Mas, quando Deus me chamou para ser um obreiro dele entre os índios, eu não hesitei”, enfatiza.

A história do homem que fez parte do primeiro grupo de adventistas batizados pelo pastor Calebe Pinho, em 1975, se popularizou por causa do livro Missão Carajás, do pastor e jornalista Paulo Pinheiro. Desde a conversão ao adventismo, a vida de Tewahura foi caraterizada pelo compromisso com a missão. “Todos os sábados, a pé ou de bicicleta, ele atravessava 40 quilômetros por atalhos, dentro da selva, até Santa Isabel do Morro, para pregar o evangelho”, narra o autor.

Tewahura está com 78 anos e continua morando na aldeia Fontoura, que já consistiu no principal núcleo de atuação da igreja e da ADRA às margens do rio Araguaia, na Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo. Seu desejo é continuar pregando em tribos ainda sem presença adventista, mas a idade avançada já não lhe permite transitar por esses lugares como antigamente. Ciente de suas limitações, ele está preparando o neto dele, Juraci Bituare, de 30 anos, que é um dos colaboradores da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) na tradução das Escrituras para o idioma dos carajás.

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Cativados pelo amor

É com alegria que inicio esta coluna que trará algumas reflexões sobre as profecias bíblicas. Porém, antes de interpretar algum texto ou relacioná-lo a certos fatos, é imprescindível refletir sobre o essencial. Em primeiro lugar, precisamos nos questionar sobre a própria iniciativa de estudarmos as profecias bíblicas. Por que dedicar tempo a isso, se muitos consideram a Bíblia um subproduto da cultura? Se ela é fruto da cultura, não provém de Deus e não passa de uma invenção humana. É isso o que filósofos, historiadores e muitos teólogos afirmam. Se a Bíblia é apenas cultural, consequentemente, as profecias não passam de vaticinum ex eventum(profecia originada em um evento), ou seja, foram escritas após acontecimentos que foram deslocados para o futuro, a fim de parecerem proféticos.

Logo, é inevitável a pergunta: dá para confiar nas profecias bíblicas? Existe algum critério para avaliá-las? Sem dúvida, sim. O critério mais importante se relaciona ao cumprimento: uma profecia verdadeira tem que se cumprir. Basta a lógica para se chegar a essa conclusão. Até na Bíblia se encontra esse argumento: “Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Sabe que, quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele” (Deuteronômio 18:21, 22, ênfase acrescentada). Enfim, se a profecia se cumpre, tanto ela quanto o profeta são verdadeiros. Se ela não se cumpre, é falsa. Ponto.

Alguns estimam que existam mais de duas mil e quinhentas profecias na Bíblia, sendo que a grande maioria delas já se cumpriu ao longo da história até o presente. Uma das mais espetaculares é a de Daniel 9:25 a 27, que anuncia o tempo da primeira vinda do Salvador. Escrita por Daniel no sexto século a.C., essa profecia indica o tempo exato da manifestação pública do Ungido (Messias ou Cristo), 483 anos a partir de outro fato também profetizado. Encurtando a história, isso nos leva a 27 d.C., exatamente o ano em que Jesus foi batizado (ungido) no rio Jordão. Como não se pode negar que o livro de Daniel foi escrito séculos antes de Cristo, também é inegável o caráter preditivo desse livro. Jesus veio no tempo profético exato.

Podemos mencionar diversas profecias cumpridas. Uma lista rápida: a destruição das antigas cidades de Tiro e Babilônia, vitórias e derrotas de exércitos, os 70 anos de exílio judaico, a diáspora, a sobrevivência do povo e da fé israelita por milênios, surgimento e queda de impérios, as profecias messiânicas e até mesmo os fenômenos políticos e religiosos da atualidade, como a união disfuncional da Europa e certas tendências globais. Tudo se cumpriu e está se cumprindo cabalmente, como previsto nas Escrituras.

Objeções

Muitos têm uma visão preconceituosa da Bíblia e imaginam que estudar as profecias pode até levar à loucura. Outros respeitam as profecias, mas, ao se deparar com um animal de sete cabeças e dez chifres, por exemplo, concluem que é impossível interpretar o livro. Talvez daí tenha se originado o ditado popular “bicho de sete cabeças”, para se referir a algo tão misterioso quanto assustador.

Ainda me lembro do meu primeiro contato com o Apocalipse, há 25 anos. Na época, tinha apenas dez anos de idade, quando vi um livro azul com os quatro cavaleiros na capa, intitulado Revelações do Apocalipse. Estávamos na casa de minha tia Luiza, professora formada em Letras, muito culta. Como em todas as férias de verão, viajávamos 3 mil quilômetros para passar alguns dias com ela, mas, naquela ocasião, o livro me incomodava naquela estante. Eu não gostava de passar por ele e até virava o rosto para evitá-lo. A capa azul chamativa, os cavaleiros (que nem eram tão agressivos) e a própria palavra “Apocalipse” pareciam ameaçadores para um garoto que nunca tinha manuseado uma Bíblia.

Não sei por que temia tanto aquele livro. Talvez a influência da TV. Minha memória não é capaz de resgatar essa informação. Apenas sei que o temor era real. Entretanto, em uma bela ironia da vida, anos depois eu me interessaria profundamente pela mensagem desse livro – não mais guiado pelo medo, nem vestido com um colete à prova de fé, mas atraído pelo amor divino (Jr 31:3). Nas palavras do autor do livro do Apocalipse, “no amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo” (1 João 4:18).

Amor divino

Uma das primeiras lições para quem deseja estudar as profecias bíblicas, especialmente as apocalípticas (em outra coluna explico a diferença), é sobre o amor de Deus por Seu povo. O amor divino é a mensagem básica do livro, assim como de toda a Bíblia. Não é coincidência que Daniel e João tenham sido escolhidos para receber visões especiais. Ambos tinham algo em comum – Daniel era “mui amado” e João foi o “discípulo a quem Jesus amava” (Daniel 9:23; João 20:2). Ou seja, as maiores revelações proféticas da Bíblia foram confiadas a pessoas que foram objeto especial do amor de Deus, não por um decreto arbitrário da parte da Divindade, mas pela própria abertura que esses homens deram à luz celestial. Não se pareciam com pregadores agressivos, nem eram fanáticos insensíveis. Eram pessoas humildes, de profunda sensibilidade espiritual e comprometimento com o povo de Deus. Se pessoas amadas foram escolhidas para transmitir a mensagem apocalíptica, é porque ela tem que ver com amor.

“Deus é amor” (1Jo 4:8). Contudo, se o amor é a essência do caráter divino, por que tanto Daniel quanto Apocalipse contêm imagens negativas, como a de animais terríveis e cenas de destruição? A resposta para essa questão complexa não está em uma equação simples. Relaciona-se ao próprio dilema da realidade: se Deus é bom, por que Ele permite o sofrimento? Esta pergunta rendeu uma obra filosófica clássica, Ensaio de teodiceia, escrita pelo matemático e filósofo alemão Gottfried Leibnz. Nesse livro, Leibnz cunhou o termoteodiceia (que significa algo como “justiça de Deus”), em que procura conciliar a relação entre a bondade de Deus e a existência do sofrimento. Embora suas reflexões enriqueçam a discussão do tema, as profecias bíblicas dão uma contribuição enorme para a questão da teodiceia.

Para se entender o benefício das profecias bíblicas, vale a pena conhecer a história de Jó. Esse patriarca sofreu terrivelmente sem saber por que. Sendo o único em todo o Antigo Testamento chamado de justo, ou seja, uma pessoa altruísta e boa (Jó 1:1), ele sofreu terrivelmente. Contudo, nem passava pela sua cabeça que ele fazia parte de um conflito e que seus movimentos eram acompanhados com interesse por olhos invisíveis. No fim da história, o patriarca foi restaurado, e Deus até falou com ele, mas sem explicar o que houve. O patriarca permaneceu na escuridão quanto às acusações feitas contra ele na corte divina. No Apocalipse e em Daniel, o povo de Deus também sofre, mas o invisível é descortinado. Dá para se entender o porquê. Essa ideia está contida na própria etimologia da palavra grega apocalipse, que significa “revelação” e transmite a ideia de descobrimento, descerramento.

Por meio das profecias apocalípticas, temos a chance de entender o que está por trás do sofrimento humano e por que Deus parece lento em agir. Ao estudá-las, percebemos que Ele está atento aos detalhes e age vigorosamente. Somos abençoados com uma visão privilegiada da história. Aliás, do ponto de vista profético, história não se restringe ao passado. O futuro já é passado. Não é à toa que vários profetas falavam do futuro, usando verbos no passado. Deus não só antevê como influencia o futuro.

Assim, as profecias bíblicas não têm nada a ver com o que a cultura popular ensina. Apocalipse não significa fim do mundo, mas uma revelação de Deus. Não se trata de destruição gratuita, mas de intervenções divinas visando à redenção da humanidade. É a descrição de um Criador comprometido com Seus filhos, o qual concede liberdade, mas que também exige responsabilidade. Voltando à pergunta inicial, não é só bom quanto essencial estudar as profecias. Através delas, podemos entender por que estamos aqui e para onde vamos. Se devidamente estudadas, elas trazem paz e nos tornam mais reflexivos e confiantes – “Feliz aquele que lê as palavras desta profecia” (Apocalipse 1:3 – versão NVI). Ao ler esta coluna, que sua mente seja iluminada, e seu coração, aquecido pela revelação do amor de Deus.

Autor: Diogo Cavalcanti

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